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Desvio de septo tem cura sem cirurgia? O que diz o otorrino em Curitiba

O Dr. Pierre Costa, otorrinolaringologista, atende na NUE Wellness Clinic, no Ecoville, em Curitiba.

Foto do Dr. Pierre Costa, autor do artigoDr. Pierre CostaOtorrinolaringologista · CRM-PR 27071 · RQE 17336
Mulher de 33 anos de pele clara, cabelo loiro-escuro liso e solto, usando um frasco simples de spray de soro nasal, de três

Não: o desvio de septo é uma alteração da estrutura do nariz, e nenhum remédio, spray ou exercício endireita a cartilagem. O tratamento clínico, porém, alivia o inchaço da mucosa e, em muitas pessoas, controla os sintomas a ponto de a cirurgia não ser necessária.

Em resumo

  • Remédios e sprays agem na mucosa que reveste o nariz por dentro, não na cartilagem, por isso aliviam os sintomas sem corrigir o desvio.
  • O tratamento clínico costuma bastar quando o desvio é leve ou quando a maior parte da obstrução vem da rinite e dos cornetos.
  • A septoplastia é indicada quando a obstrução continua apesar do tratamento clínico bem feito e atrapalha a respiração, o sono ou a qualidade de vida.
  • Descongestionante nasal em spray, usado por muitos dias seguidos, pode piorar a obstrução por efeito rebote.

A pergunta faz sentido: ninguém quer operar se puder evitar. A resposta tem duas partes. O desvio em si não se desfaz sem cirurgia. Mas o nariz entupido, que é o que incomoda no dia a dia, nem sempre vem só do desvio, e é nessa parte que o tratamento clínico ajuda.

Por que remédio não endireita o septo

Remédio não endireita o septo porque o desvio é uma questão de forma: cartilagem e osso fora do centro. Os medicamentos agem sobre a mucosa, o tecido úmido que reveste o nariz por dentro.

A obstrução nasal costuma ter duas camadas:

  • A estrutura: o septo, os ossos e as cartilagens. Não muda com remédio.
  • A mucosa: incha e desincha com rinite, resfriado, poeira, mudança de tempo e posição do corpo. Responde ao tratamento clínico.

Pense num corredor estreito com uma parede torta. Os remédios conseguem tirar o que está acumulado no caminho, mas não mudam o lugar da parede. Quando a mucosa desincha, sobra mais espaço para o ar, mesmo com o desvio no mesmo lugar. Para algumas pessoas, esse espaço extra basta. Para outras, não.

Mudar a posição da parede só é possível com cirurgia, a septoplastia, feita por dentro do nariz.

O que cada tratamento faz, e o que não faz

Cada tratamento clínico tem um papel específico, e nenhum deles muda a posição do septo. A escolha depende do que o otorrino encontra no exame.

TratamentoO que fazO que não faz
Lavagem com soro fisiológicoLimpa secreções e crostas, hidrata a mucosaNão muda a posição do septo
Corticoide em spray nasalReduz a inflamação da mucosa e dos cornetos, sobretudo na riniteNão corrige a cartilagem e depende de uso regular
Antialérgico (anti-histamínico)Alivia espirros, coceira e coriza da alergiaPouco efeito sobre a obstrução causada pelo desvio
Descongestionante em sprayDesincha a mucosa por algumas horasUsado por muitos dias, causa efeito rebote
Dilatador nasal (fita ou peça interna)Abre a entrada do nariz durante o usoNão age em desvios mais internos e não dura depois de retirado
Umidificador de arReduz o ressecamento no ambienteNão trata a causa da obstrução

Alguns detalhes fazem diferença no resultado do tratamento:

  • Corticoide nasal leva tempo: o efeito completo aparece depois de dias a semanas de uso regular. Usar só nos dias ruins reduz muito o benefício.
  • Direção do jato: apontar o spray para a parede de fora da narina, e não para o septo, reduz irritação e sangramento.
  • Lavagem bem feita: soro em volume, com a cabeça inclinada, limpa mais do que gotas.
  • Reavaliação: o tratamento clínico tem prazo. O otorrino revê a resposta depois de algumas semanas e ajusta o que for preciso.

O cuidado com o descongestionante em spray

O descongestionante em spray alivia em minutos, mas usado por muitos dias seguidos faz a mucosa inchar de volta, cada vez mais rápido. Esse efeito rebote é chamado de rinite medicamentosa.

Quem tem desvio de septo é especialmente sujeito a esse ciclo, porque o alívio do spray é muito evidente. Com o tempo, o efeito dura menos, a dose aumenta e o nariz entope mais do que antes.

  • Uso curto: esses sprays são feitos para poucos dias seguidos, como orientam a bula e o médico.
  • Pressão arterial: podem elevar a pressão e não são indicados para todas as pessoas.
  • Crianças: em crianças pequenas, podem causar intoxicação, e só devem ser usados com prescrição.
  • Como parar: em geral, com orientação médica e substituição por outro tratamento, porque a interrupção brusca costuma piorar a obstrução por alguns dias.

Se você usa descongestionante quase todo dia, isso já é motivo para uma consulta com otorrino.

Quando o tratamento clínico é suficiente

O tratamento clínico costuma bastar quando o desvio é leve, quando a obstrução vem principalmente da rinite ou quando os sintomas ficam controlados com ele.

  • Desvio pequeno: a passagem de ar continua razoável, e o exame mostra que o septo não é o principal ponto de obstrução.
  • Rinite como causa principal: sintomas que vão e vêm, com espirros, coceira e coriza, e melhora clara com o tratamento.
  • Sintomas leves: o nariz entope às vezes, sem atrapalhar o sono, o trabalho ou o exercício.
  • Boa resposta: depois de algumas semanas de uso correto, a respiração fica confortável.
  • Momento inadequado para operar: em crianças, o nariz ainda está crescendo, e algumas condições de saúde pedem adiar uma cirurgia eletiva.

Nesses casos, conviver com o desvio é uma escolha segura. Muita gente tem algum grau de desvio e nunca precisa operar.

Quando a septoplastia é indicada

A septoplastia é indicada quando o desvio causa obstrução importante que continua apesar do tratamento clínico adequado, ou quando provoca complicações.

  • Obstrução persistente: o nariz continua entupido mesmo com o tratamento bem feito, pelo tempo combinado com o médico.
  • Impacto no sono e na rotina: ronco, sono que não descansa e cansaço ligados à respiração pelo nariz.
  • Dependência de descongestionante: quando o desvio contribui para a obstrução e mantém o ciclo do spray.
  • Sangramentos repetidos: na região do desvio, onde o ar resseca a mucosa.
  • Sinusites de repetição: quando o desvio atrapalha a drenagem dos seios da face, ou quando é preciso acesso para a cirurgia de sinusite.
  • Dificuldade com o CPAP: pessoas com apneia que não toleram a máscara por causa da obstrução nasal.

A decisão leva em conta o exame, a endoscopia nasal e o quanto os sintomas pesam na sua rotina. O grau do desvio, sozinho, não decide. Os sinais que levam a investigar estão no artigo sobre os sintomas do desvio de septo.

Promessas que não corrigem o desvio

Exercícios, massagens, aparelhos e preenchimentos não mudam a posição do septo. Vale saber o que cada um faz, para não perder tempo nem dinheiro.

  • Exercícios de respiração ou de "alongamento" do nariz: podem ajudar a relaxar, mas não movem cartilagem.
  • Massagem no nariz: não alcança a parte de dentro e não muda o septo.
  • Dilatadores e fitas: abrem a entrada do nariz enquanto estão em uso. O efeito acaba quando são retirados.
  • Preenchimento no nariz (rinomodelação): muda o contorno externo e pode disfarçar um dorso torto, mas não mexe no septo e não melhora a respiração.
  • Chás e produtos naturais: podem aliviar a sensação de nariz seco, sem efeito sobre o desvio.

Como é a septoplastia, em resumo

A septoplastia corrige o desvio por dentro do nariz, sem corte no rosto, e em geral não muda o formato externo. O objetivo é abrir a passagem de ar.

Um ponto importante: a cirurgia corrige a estrutura, não a rinite. Quem tem rinite costuma continuar precisando de cuidados com a mucosa depois da septoplastia.

Tratar primeiro, operar se for preciso

O caminho mais seguro costuma ser este: diagnóstico com otorrino, tratamento clínico bem feito pelo tempo certo e reavaliação. Se a respiração ficar confortável, a cirurgia não é necessária. Se não ficar, a septoplastia entra como o passo seguinte, com indicação clara.

O Dr. Pierre Costa, otorrinolaringologista (CRM-PR 27071, RQE 17336) com formação em cirurgia da face, faz essa avaliação na NUE Wellness Clinic, no Ecoville, em Curitiba. Para entender a cirurgia, a indicação e a recuperação, veja a página de septoplastia em Curitiba.

Dr. Pierre Costa
Escrito por

Dr. Pierre Costa

Otorrinolaringologista com formação em cirurgia da face (CRM-PR 27071 · RQE 17336). 18 anos de experiência cirúrgica e mais de 3.200 cirurgias otorrinolaringológicas e plásticas faciais. Atende na NUE Wellness Clinic, Ecoville.

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Spray nasal endireita o desvio de septo?

Não. Nenhum spray muda a posição da cartilagem. Os sprays agem na mucosa: o corticoide reduz a inflamação, o soro limpa e hidrata e o descongestionante desincha por algumas horas. Eles podem aliviar a obstrução, mas o desvio continua no mesmo lugar.

Usar descongestionante nasal todo dia faz mal?

Pode fazer. Usado por muitos dias seguidos, o descongestionante em spray causa efeito rebote: a mucosa volta a inchar, cada vez mais rápido, e a pessoa passa a depender dele. Ele também pode elevar a pressão arterial. Quem usa quase todo dia deve procurar o otorrino para rever o tratamento.

Rinomodelação corrige desvio de septo?

Não. O preenchimento muda o contorno externo do nariz e pode disfarçar um dorso torto, mas não alcança o septo, que fica dentro do nariz. Ele não melhora a respiração. Quando o desvio atrapalha a passagem de ar, a correção é cirúrgica.

Quem tem desvio de septo precisa operar?

Não necessariamente. Muitas pessoas com desvio vivem bem sem cirurgia, com ou sem tratamento clínico. A septoplastia é indicada quando a obstrução continua apesar do tratamento adequado e atrapalha a respiração, o sono ou a qualidade de vida, ou quando o desvio causa complicações.

Depois da septoplastia, ainda preciso tratar a rinite?

Em geral, sim. A septoplastia corrige a estrutura, mas a rinite é uma inflamação da mucosa e pode continuar depois da cirurgia. Muitos pacientes seguem com lavagem nasal ou spray de corticoide, conforme orientação do otorrino.

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